Opções de ações para o mês de julho 2017

Especular com opções de ações é uma das 3 alternativas de renda variável que recomendo na estratégia do Investir Dinheiro. Todo mês é necessário reavaliar o rumo da economia para tentar antever os movimentos dos preços das principais ações, é isso que passo a fazer agora.

Não gostei do formato do primeiro e-mail com esse objetivo, por isso mudei. Pode acontecer de novo.

Ainda estou devendo um e-mail que explique o mercado de opções de ações, mas isso não deve durar muito mais tempo. Se você desejar saber um pouco mais, leia o artigo sobre a renda variável.

Sobre o quanto é valioso especular com opções de ações, leia:

Antifrágil

 

Qualquer tentativa de análise econômica precisa pensar primeiro no cenário internacional e depois no cenário nacional, afinal de contas vivemos em um mundo globalizado; isso é, naturalmente, o que vai acontecer nesse texto.

(vou acabar te contando uma verdade que estão tentando esconder de você!)

Concluímos com a parte prática do texto, que é a minha decisão de especulação em opções de ações.

Obs. 1: eu não só não me acho um gênio da economia, como não acho que exista esse gênio. O próprio George Soros, que enriqueceu fazendo o mesmo que esse artigo se propõe (em um nível muito mais sofisticado e endinheirado, é claro), já reconheceu que primeiro procurava “sobreviver” e que estava sempre admitindo seus erros (devia ter continuado a fazer isso quando o assunto é política, mas, infelizmente, não o faz).

Obs. 2: discutir economia, principalmente no nosso país, é também discutir política, e não tem como fazer afirmações em economia, sem fazer afirmações políticas, de forma que isso vai acabar acontecendo nesse texto. Mas esse não é um espaço para discutir política, é para discutir economia, por isso, torço para que nos atenhamos a isso.

Prestação de contas

No primeiro e-mail eu especulei algumas coisas, vamos prestar contas aqui, depois reavaliar:

  • Afirmei que estamos prestes a ver a próxima maior crise da história;
  • Sinalizei que a situação dos juros negativos é uma incógnita;
  • Afirmei que a campanha do PT e aliados para 2018 vai incomodar;
  • Afirmei que o governo Temer podia não ter forças para aprovar suas reformas;
  • Sinalizei que a Lava-jato devia continuar avançando;
  • Entendi que era melhor apostar na queda das ações, procurei opções de venda;

Respectivamente:

  • Continuo acreditando e agora vamos aprofundar essa ideia;
  • A coisa parece que não vai permanecer, parece que não temos uma nova realidade;
  • Tudo indica que isso vai acontecer e houveram novos e interessantes desdobramentos;
  • Minhas suspeitas se confirmaram e ainda houve um agravamento nessa situação;
  • A lava-jato, felizmente, avançou;
  • Pela análise dos preços, eu acertei o movimento, mas a magnitude não foi suficiente.

Resumindo e organizando, é isso aí, mas vamos repassar o que aconteceu durante esse mês.

O que aconteceu no mês que passou

  • Temer foi gravado por Joesley em conversa comprometedora;
  • Revisões de crescimento para o ano, para baixo;
  • Dados fracos na arrecadação de impostos persistem;
  • BC sinaliza diminuição no ritmo de redução da taxa de juros;
  • Taxas de juros de longo prazo subiram;
  • FED levanta juros nos EUA;
  • Trump comete algumas gafes;
  • China começa a admitir alguns problemas;

Algumas dessas coisas são mais importantes, outras menos, mas são os pontos que acho que valha a pena observar.

Continue acompanhando minhas especulações:

Cenário Internacional

Coloquei que a “China começa a admitir alguns problemas” só para não deixar de lembrar que aquela situação de endividamento elevadíssimo, para tentar sustentar um crescimento econômico alto, não deve se sustentar por muito tempo.

(essa situação ainda vai dar problema sério, para o mundo inteiro)

Porque o que interessa mesmo no momento são as medidas tomadas pelo FED e por Trump.

O FED

O FED elevou as taxas de juros nos EUA de 1% para 1,25% ao ano (ô inveja boa!!!) e já sinalizou que haverá nova alta ainda em 2017.

Esse pode ser o começo da volta à normalidade da economia mundial, porque o esperado é que as demais grandes economias sigam esse movimento, sob o risco de ver grande parte do dinheiro fluir para os EUA, atrás da melhor relação entre retorno e risco.

O interessante nesse movimento é que ele pode frear a subida da bolsa americana.

O TRUMP

O que deve ir de encontro com as promessas do presidente americano.

O presidente, praticamente, independente está dando o que falar e merecidamente. A sua eleição já foi um fato histórico sem precedentes, mas o que ele pode fazer se continuar cumprindo as suas promessas pode ser ainda mais impactante.

O problema é entender até onde isso vai levar a economia americana.

Porque economicamente falando, ele muito provavelmente vai fortalecer a economia de uma forma a muito não vista, simplesmente colocando os interesses americanos à frente.

Sabe como é: quando um time vencedor mantém-se no ataque, focado no jogo e fazendo o que pode fazer de melhor, acaba não dando chances para os adversários e vencendo o campeonato.

Mas as medidas que levam a esse comportamento contrariam os interesses das principais empresas mundiais, para ser mais claro, coloca-o em posição contrária à bancos, investidores institucionais, empresas que atuam globalmente, e seus fantoches: grande mídia e expoentes da “intelectualidade” nas universidades.

Isso pode fazer com que ele não termine o mandato.

Ou seja, o cenário é confuso para qualquer análise. Mas há algo que se pode fazer.

A BOLHA

Observe o gráfico com os preços das ações norte americanas nos últimos anos:

bolsa americana
Os dois topos que você vê nos anos 2000-01 e nos anos 2007-08, são as crises mais recentes. Observe que nós estamos muito além disso, apesar de você poder lembrar que a economia não melhorou o suficiente para corroborar a alta de preços mais recente.

Agora observe o gráfico do VIX, que “mede” o risco nos investimentos nessas ações:

VIX
Observe onde estava o VIX logo antes da última crise e o que aconteceu quando a bolha estourou! Quando o VIX está bem baixo, é porque a voltatilidade está bem baixa.

Se você acompanha mercado financeiro, já deve ter isso algumas vezes nos últimos meses.

Mas do contrário, não sabe que essas condições são geralmente vistas antes de grandes crises. Daquelas que o mercado despenca muito em pouquíssimos dias. Daquelas que falei no último artigo.

Essas crises são oportunidades raríssimas, que precisam ser aproveitadas.

Quando essa bolha estourar, você tem que está pronto para aproveitar a queda do preço das ações.

Você pode fazer isso aqui mesmo no Brasil.

Ou pode comprar opções de ações de tecnologia lá nos EUA.

Eu vou continuar acompanhando isso, e você também pode:

Se você quiser saber um pouco mais sobre bolhas financeiras, leia o livro:

Manias, pânicos e crashes

Cenário Nacional

Sou obrigado, para reforçar o óbvio que muitos ainda não entenderam, a colocar novamente o gráfico com a evolução do PIB nos últimos anos, porque não tem como negar que a crise é a maior dos últimos 100 anos:

PIB
A projeção desse crescimento de 2017 já caiu de 0,8%, para 0,5%. E eu não me espantaria se caísse mais daqui para o final de ano!

Aqueles que ainda não perceberam isso, ainda vão perceber, com certeza. Mas o que nos interessa mesmo é saber se a partir desse ano o país sai dessa crise e volta a crescer pelo menos na média dos últimos 30 anos, que é de cerca de 2%.

Tudo indica que não!

O PROBLEMA ECONÔMICO

O que precisa ficar claro quanto à essa crise é que ela não foi causada por crise política ou operação policial, na verdade ela foi causada por um desequilíbrio fiscal que é resultado de políticas econômicas irresponsáveis, o termo acadêmico é “heterodoxas”.

De forma que só sairemos da crise se resolvermos o desequilíbrio fiscal.

O problema é que para que aconteçam as medidas necessárias para resolver o problema de desequilíbrio fiscal é necessário que haja vontade política do governo e que este tenha condições de fazer acontecer.

O PROBLEMA POLÍTICO

O governo Dilma nem tentou resolver o desequilíbrio, que eles mesmo causaram.

O governo Temer estava tentando empurrar o problema com a barriga (resolver a curto prazo, mas voltando a ele daqui a alguns anos), conseguiu dar os primeiros passos, com a aprovação dos tetos para os gastos públicos, mas aí veio a bomba.

O presidente foi gravado pelo Joesley, da JBS, em ação controlada efetuada no âmbito da Lava-Jato; o áudio é, no mínimo, comprometedor. E, devido às circunstâncias, deveria levar à renúncia do presidente no máximo até o dia seguinte.

Mas assim como a antecessora, ele resolveu se segurar no cargo, infelizmente.

Como é que o Congresso que precisa aprovar as reformas (a da previdência é mais importante), ao mesmo tempo vai votar um possível pedido de impeachment (estou arriscando que vai ter), não me parece crível que essas duas pautas possam avançar juntas.

De forma que, nós não temos governo forte o suficiente para resolver o problema econômico.

SE UM LADO ENFRAQUECE, O OUTRO SE FORTALECE

Junto com o presidente Temer, no mesmo processo de ação controlada, caiu o titular da chapa que ficou em segundo nas últimas eleições, Aécio Neves; até então presidente dos tucanos, cujo partido deveria ser o mais forte nas próximas eleições.

Isso só faz abrir espaço para que a minha tese de fortalecimento dos petistas se confirme.

Quanto mais o governo se enfraquece e seus aliados são alcançados pela Lava-Jato, mais forte é o movimento do PT e de seus aliados, pois como disse em artigo anterior, não importa se Lula for ou não candidato, porque eles terão um candidato e ele capitaneará a força de Lula como a Dilma conseguiu fazer em duas eleições.

E, para nossa teoria e expectativa de resultados, eles nem precisam ganhar, só incomodar.

Se eles incomodarem o suficiente, os preços caem forte, se ganharem, os preços despencam.

VOLTANDO À ECONOMIA PRA FINALIZAR

Se você acompanha qualquer tipo de noticiário ou análise jornalística, de economia ou não, sobre a crise econômica, deve estar achando que nós estamos saindo da crise, que o final do ano será de recuperação e que 2018 tudo volta ao normal.

Sinto muito lhe dizer, que estão te enganando.

Ou por força de um discurso montado para apoiar o atual governo ou por se iludirem com os preços dos mercados, essas pessoas estão desconsiderando os números apresentados até agora sobre o desempenho da economia, que são desanimadores.

Sem entrar em detalhes:

  • As previsões de crescimento estão sendo rebaixadas;
  • Os dados de arrecadação de impostos estão abaixo do esperado;
  • As taxas de juros de longo prazo subiram;
  • A inflação caiu mais pela recessão do que por medida do BC;
  • O investimento privado continua reprimido;

Pra fechar, as chances de o governo cumprir a meta fiscal, que já eram pequenas, estão ficando ainda menores.

O problema econômico é o desequilíbrio fiscal, só existe um caminho viável, resolver isso!

Enquanto isso não acontece a nossa posição em opções de ações continua a mesma!

Acompanhe esses emails sobre opções de ações mensalmente:

Especulações com opções de ações

Assim como no mês anterior, continuo focando nas opções de ações da Petrobras.

Porque o foco do momento é político, e a Petrobras é a empresa que melhor personifica todos os possíveis movimentos de mercado que advém dessa situação.

Olhando para o mercado, vejo PETRS12, preço de exercício a 9,80, sendo negociada a R$ 0,03.

Compro dois lotes dessa opção para vencimento no próximo mês.

Esse mês não vou nem considerar comprar uma opção de proteção para a alta das ações, porque no cenário em que está, não vale a pena gastar dinheiro com a possibilidade de a ação da Petrobras ultrapassar os R$ 16,00, que é o preço que a opção recompensaria.

Dessa forma, fico para o próximo mês comprado em dois lotes de PETRS12.

Se você quiser saber mais sobre esses ganhos com opções de ações, leia:

Antifrágil

 

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Muito obrigado por ler meu texto.

Boa sorte!